quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um nó na garganta...

Estou com um nó na garganta desde que começou esse entrevero no Rio.

Eu, que sou novo, não recordo de ver um complô tão grande da imprensa para justificar uma cagada nacional.

Antes que algum retardado ache que eu defenda o tráfico, aviso que eu sou não só contra o tráfico, como contra o uso de qualquer tipo de drogas: lícitas e ilícitas.

Agora: que ninguém se engane que os aparelhos de repressão do Estado tenham subido o morro pra trazer a paz aos homens de boa vontade.


É mais fácil que tenham subido negociar uma trégua até segunda ordem.

Até porque... se era tão fácil assim, porque não fizeram isso há anos? Precisavam do filme Tropa de Elite pra botar medo nos traficantes?

E o pior desse circo todo feito por TODOS (ABSOLUTAMENTE TODOS) os meios de comunicação é o balaio de gato que essa coisa toda é e a quantidade de interesses nessa história.

O mais evidente é a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Uma limpeza étnica daquelas pra garantir que a burguesia nacional e internacional não tema estar na cidade maravilhosa quando a bola rolar nos gramados. ¹

E a classe média, que ficará um ano endividada pagando prestações de um ingresso de arquibancada para um jogo da copa entre Camarões e Nigéria, aplaude os fatos de pé assistindo ao Arnaldo Jabor no Jornal Nacional.

Conversamos sobre o tema daqui a cinco ou seis anos. Quero ver qual será a conjuntura das favelas até lá...

Mas falando em interesses, é interessante observar que assim que o tráfico "sai", entram outros criminosos.

As empresas já querem "desenvolver o empreendedorismo" nas favelas. Que coisa linda! Nada como um mercado novo com mão de obra barata e especializada! É a "paz" que todo empresário precisa.

E por que não falar da igreja? Pronta pra alienar arrebanhar fiéis no morro onde agora reina a Paz.

Onde abundou o pecado, superabundou a graça, não é esse o jargão evangélico? Dia 18/12 já vai rolar um show do Diante do Trono lá no complexo!

É que antes tava embaçado pa Jesuis dá uns rolê no morro. Agora, depois do BOPE juntu cus mano da Força Nacional, do Exército (...) tá sussi!

[...]

Não bastassem os vilões de sempre, vão enfiar as UPPs (Unidades de Polícia "Pacificadora") dentro dos morros pra mostrar que o Estado está lá. O Estado Policial.

Saúde, educação, moradia digna, saneamento básico... bom, isso aí já fica um pouco mais complicado pra mandar pra lá. Mas o governador prometeu que agora vai dar! Agora dá! Agora dá!

É tanta coisa, tanta coisa, tanta merda nessa história que eu prefiro parar de escrever por aqui.

O que mais me deixa indignado é a imprensa se utilizando de sua Liberdade de Pressão e uma enorme parcela da população, por só ter essa imprensa (e olhe lá) como meio de informação, cair na história direitinho.

O episódio me faz lembrar o que fez a imprensa no Golpe Militar na Venezuela. Isso porque, a mesma imprensa de lá é a daqui. Uma imprensa que tem dono. Uma imprensa que explora seus funcionários visando o lucro. Uma imprensa burguesa.

E mais do que isso. Como imprensa burguesa que é, e por seu papel determinante nas opiniões da sociedade, defende não só os seus próprios interesses, mas o interesse de sua classe. A classe que é dona de tudo, porém nada produz sem as mãos do trabalhador.

TODAS as informações que transmite impõe tem lado. A notícia meramente informativa não existe. A imparcialidade não existe.

E mesmo que essa história de ficar em cima do muro fosse real, teríamos um problema: o muro tem dono. Certamente não é o trabalhador.




1 Ah não... mas segundo o que o jornalista falou, a polícia não entrou no morro atirando e só morreu bandido. Sim. Na Venezuela no golpe de 2002, enquanto o presidente apoiado pelo povo sofria um Golpe militar, os jornalistas falavam que o país estava tranquilo.

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